Capítulo VI – Gostinho gostoso de gostar



Getúlio estava estranhando o inusitado bom humor matinal de sua mãe em plena segunda-feira. Desde o momento que entrou na sala de Ana Luísa para conversar sobre um novo projeto, percebeu que sua genitora estava mais descontraída, inclusive com roupas mais leves e menos formais.
— Mãe, tá me escutando? – Getúlio chamou a atenção de sua mãe após ter repetido uma frase duas vezes.
— Ai, meu amor, me desculpe. Estava um pouco distraída. Vamos fazer o seguinte: daqui uma hora eu vou a sua sala e lá você me mostra o projeto. Pode ser?
— Vai adiantar falar que não? – perguntou retoricamente, achando sua mãe o ser mais bizarro do planeta após ouvir aquele “meu amor”.
Ana Luísa sorriu para o filho e se levantou para ficar frente a frente com o filho. Passou a mão no queixo de Getúlio, como fazia quando ele era criança, e segurou em seu nariz.
— Não faça essa carinha. Só estou um pouco aérea agora – disse carinhosamente, deixando o rapaz assustado.
— Mãe, não fala assim comigo. Você já tá parecendo a Norma Bates com essa roupa e ainda fala assim. Credo.
— Não gostou do meu vestido?
— Você tá linda. Estranha, mas linda. Não é comum te ver usando um vestido mais solto, longe do formal. Vou voltar pra minha sala. Não se esqueça de ir lá depois, por favor.
— É assim que eu gosto, meu filho. Foi essa a educação que eu te dei – disse pegando no nariz do filho novamente.
— Para com isso – disse batendo na mão de Ana levemente. — Até depois.
— Até.
Para irritar ainda mais o filho, Ana ainda jogou um beijo no ar para ele, que saiu revirando os olhos da sala.
Paola, ao contrário de Ana Luísa, estava de péssimo humor. Dormiu mal e teve pesadelos horríveis. Trancou-se em sua sala e de lá só sairia no horário do almoço. Preferiu não falar com a consultora, pois temia ser grosseira com ela. Passou o final de semana todo pensando no que sua amiga Cibele havia lhe dito, ponderando se era o correto ou não abrir o jogo com a mãe de seu chefe.
— Mas que grande bosta eu estar me sentindo assim – lamuriou para si mesma quanto ao seu estado sentimental.
— Assim como, querida? – perguntou Ana Luísa, ao entrar no cômodo com uma xícara de chá sobre um pires nas mãos, assustando Paola.
— Ah – pensou. — De mau humor – desconversou.
— Sua secretária me disse, por isso, te trouxe um chazinho. – Aproximou-se de Paola e se abaixou para depositar a xícara sobre a mesa. — Bem docinho – sussurrou ao ouvido da diretora, aproveitando-se da proximidade.
A diretora Biancchi sentiu seu mundo girar e seu humor mudar drasticamente de péssimo para ótimo. Tomada de uma súbita coragem, puxou Ana Luísa pela cintura e a sentou em seu colo para dar-lhe um beijo tão fogoso quanto saudoso. A colunista se afastou um pouco e se levantou com um enorme sorriso nos lábios.
— Maluca! Alguém pode nos ver – repreendeu-a sorrindo.
— Você me deixa maluca e ainda me provoca. É covardia isso. – Levantou-se e envolveu seus braços na cintura sutilmente curvilínea de Ana Luísa. — Adorei esse estilo vintage. Destaca bastante isso aqui – apertou o quadril da mais velha, mostrando sobre o que estava referindo.
— Faz tempo que eu não me visto assim.
— Deveria se vestir assim mais vezes.
— É? – questionou se aproximando da boca de Paola.
— Aham! – Roçou os lábios aos de Ana.
— Dona Paola – Lara, a secretária de Paola, entrou na sala chamando pela chefe.
As duas se separaram em um pulo, fingindo que não estava acontecendo nada. Ana Luísa se despediu e saiu rapidamente da sala, deixando Paola com uma carinha atordoada.
Lara conhecia bem sua chefe e sabia dos seus casinhos, mas, em hipótese alguma, imaginaria que ela tentaria enrolar a mãe do próprio chefe.
— Desembucha, menina! – disse nervosa.
— Só queria avisar que a senhora tem uma reunião hoje em Guarapari.
— Era só ter interfonado para minha sala. Pode se retirar.
— Licença.
Paola já estava comemorando o fato de Lara ter se retirado sem tocar no assunto, quando a escutou pigarrear da porta.
— A dona Ana Luísa? A senhora não tem juízo mesmo. Trazer essas suas amiguinhas aqui, eu entendo e encoberto. Ajudo à senhora. Mas, a mãe do seu chefe?
Paola foi até a garota de pouco mais de vinte anos e a puxou pelo braço, fechando a porta logo em seguida.
— Ficou doida? Falando isso da porta!
— Mas é muita safadeza da senhora fazer isso com uma mulher tão boa como ela.
— Lara, eu já estava comemorando você não ter falado nada. E quando fala, praticamente caga pela boca.
— Mas...
— “Mas” nada! Eu acho que te dou confiança demais. – Deu a volta em sua mesa e se sentou. — Com a Ana Luísa é diferente. Eu quero a levar para jantar, conhecer mais da vida dela. E eu nunca fiz qualquer coisa com ela que pudesse a magoar.
— Hmmm – murmurou com um risinho.
— “Hm” o quê?
— Tá apaixonada, dona Paola. Já falou pra ela? Ela gosta de você? Acho que você tem de contar pra ela.
— Lara, para. Você quando dispara a falar, é impossível calar a boca. Volta pra sua mesa que você já está querendo tomar conta demais da minha vida.
— Eu só me preocupo com a senhora. E se o seu Getúlio descobrir?
— Ele é grandinho pra entender que a mãe dele é dona da própria vida. E chega desse assunto. Obrigada pela preocupação, mas não vou fazer nada impensado.
— Precisando de alguém para desabafar, é só me procurar – disse e se retirou.
Paola se irritava com a intromissão da garota em sua vida, mas sabia que ela era uma boa pessoa e que estava realmente preocupada com ela. Lara era sua cúmplice em todas as suas loucuras e sempre a acobertava quando era preciso. Era uma boa garota.
Ana Luísa estava a ponto de ter um infarto em sua sala, andando de um lado para o outro. E se começassem a espalhar boatos pela empresa? Esqueceu-se completamente do filho após o flagra da secretária de Paola. Sentia que estava perto de ter uma síncope e só não a teve graças à mensagem que recebeu em seu celular:
Ei, não precisa surtar. Lara é uma menina confiável e também não percebeu nada. Está tudo resolvido já. Quando vou te ver de novo?
Ana sorriu e agitou a cabeça negativamente. Paola era realmente impossível.
Pode me ver quando quiser. Aonde quiser, mas eu também gosto de uma coisa escondidinha. Sensação de perigo. Ah, por que não em oferece uma carona hoje, hein? Assim eu te convido para subir.
E rapidamente veio a resposta:
Eu passo na sua sala pra descermos juntas.
Ok. Vou te esperar.
Pensou em usar algum emoji, mas não entendia bem o significado deles, então, preferiu mandar uma resposta simples, temendo que Paola interpretasse errado.
Após deixar o celular sobre a mesa, ouviu alguém a chamar pelo Lync, ao verificar quem era quase ficou roxa de nervosismo. Estava muito aérea e se esqueceu de Getúlio. O jovem a chamava sem parar pelo meio de comunicação via desktop da empresa. Ela o respondeu e rapidamente se direcionou para a sala da presidência.
Não estava com paciência para escutar o filho, mas pelo fato dele estar tentando fazer algo certo, motivou-se para ir ao seu encontro e preparou seus ouvidos. Neste dia, não almoçou com Paola, pois o rapaz ocupou todo seu tempo, pedindo sugestões e pontuando suas ideias. Perto das 16hs Getúlio a liberou e Ana podia se dizer bastante surpresa com o filho. Deu grandes ideias e acatou suas sugestões; talvez ele não fosse um caso perdido.
Chegando em sua sala, surpreendeu-se ao encontrar Paola sentada em sua cadeira. A diretora estava lindíssima com um conjunto social preto e uma blusa vermelha por baixo. Seus cabelos presos naquele coque despertavam em Ana o desejo de soltá-los fio a fio com seus dedos.
— Que bela surpresa – Ana disse.
Paola, como se lesse os pensamentos da colunista, levantou-se e, enquanto caminhava até ela, soltou os fios castanhos, que caíram linda e sensualmente sobre seus ombros. Continuou caminhando, mesmo já bem próxima de Ana Lu, forçando-a a andar para trás. Fechou a porta passando o braço pela mulher mais velha, chaveou-a e apenas parou de andar quando a mãe de seu chefe encostou seu corpo à porta de vidro.
Com Ana Luísa entre seus braços, Paola beijou-lhe o pescoço ao mesmo tempo em que o lambia, tomando a boca discreta da consultora logo depois. A senhora Arantes e Lima envolveu a diretora pela cintura e se entregou àquele beijo urgente, cheio de fogo e paixão. Mesmo sua sala sendo um lugar seguro, Ana conduziu Paola até o pequeno estofado que havia no canto oposto de sua sala, sentando-se no colo da mais jovem.
Como da primeira vez, Paola enfiou sua mão debaixo da saia do vestido de Ana e arranhou-lhe a coxa e diferente de antes, a consultora permitiu que ela continuasse com o contato. Apertou-lhe a região e mordeu o lábio inferior de Ana Luísa despudoradamente.
— Você é tão linda... – puxou o ar entre os dentes. — Tão gostosa, Ana Luísa.
— Hmm... – gemeu ao ouvir seu nome naquele tom embargado de desejo. Sorriu e disse entremeio o beijo: — E minha carona?
— A dona consultora pode sair mais cedo? – sussurrou enquanto chupava o pescoço de Ana.
— Eu pago essa hora depois.
Paola parou o que estava fazendo e encarou a mulher.
— Você está falando sério mesmo?
— Claro que sim, meu bem – passou a mão no queixo de Paola e a puxou para um selinho.
— Eu vou pegar minha bolsa.
Colocou a colunista no chão e saiu da sala. Ana aproveitou para avisar o filho que estava um pouco indisposta e que Paola havia lhe oferecido uma carona. Getúlio não iria se incomodar de a diretora sair mais cedo depois de ter fechado mais um contrato em sua reunião em Guarapari.
Biancchi voltou rapidamente e, enquanto desciam, elas apenas conversaram sobre trabalho e o novo contrato da empresa. Apenas tocaram em assuntos mais pessoais quando já passavam sobre a Terceira Ponte.
— Quer ir direto pra casa ou quer parar para saudar Iemanjá?
— Não tenho nada pra fazer em casa mesmo. Vamos sim.
Quase quinze minutos depois, Paola encostava o carro no estacionamento da orla da praia de Itaparica. Saíram do carro e ficaram admirando o mar em silêncio.
— Isso é tão reconfortante. Essa imensidão, essa calmaria. Eu amo isso – Ana Luísa disse enquanto tinha os olhos fixos ao mar.
— Também me acalma muito. – segurou a mão de Ana e a apertou.
Neste instante, passavam duas senhoras no calçadão caminhando. Olharam para as duas e começaram a repudiar sem disfarçar o que falavam.
— Essas sapatão não tem vergonha.
— Vamos mais rápido pra gente não ver essas coisas. Vão queimar no inferno.
Paola já estava preparada para dar uma resposta, mas Ana apertou sua mão e agitou a cabeça negativamente.
— Deixa, não vale a pena. Não quer ir para minha casa?
— Vamos sim.
Paola estava muito irritada para dirigir e Ana Luísa achou melhor conversar com a diretora para que ela se acalmasse antes. Ligou o rádio do carro em um volume baixo e ficou fazendo carinho na mão de Biancchi.
— Calma, meu bem. Vem cá – puxou Paola para um beijo, que se iniciou calmo e tomou grandes proporções.
— Ana Luísa – apartou o beijo –, eu gosto muito de você, mas não quero que pense que quero apenas isso com você. Não quero ser inconveniente – pousou a mão sobre o rosto da mulher e contornou os lábios desta com o polegar –, então não me provoque tanto.
— Provocar como, querida? – questionou, e chupou o polegar da diretora.
— Ana...
A colunista puxou Paola pelo terno e a colocou em seu colo, apertou sua cintura e a beijou.
— Ficou claro agora? – sussurrou sensualmente e mordeu a orelha de Paola.
Enquanto tocava Despacito na rádio, Paola retirou o casaco de Ana Luísa e, à medida que a peça descia pelo corpo da consultora, a diretora deixava beijos e mordidas nas regiões desnudas.
Aproveitou o momento para ajustar o banco do carona para ter mais espaço e quase deitou por completo o encosto.
— Sabe uma coisa que sou louca para descobrir? – inquiriu enquanto a diretora mordia-lhe o ombro.
— O quê?
— O que essa sua boquinha pode fazer comigo – sorriu impudicamente.
Paola não pensou duas vezes. Ergueu Ana Luísa um pouco e abriu o zíper do vestido, deslumbrando-se com a visão linda dos úberes miúdos e delicados dela. Beijou-lhe o peito, direcionando-se para os seios da mulher mais velha. Ana fechou os olhos, mordeu o lábio inferior e gemeu gostosamente quando sentiu o beijo molhado que Paola deu em seu mamilo esquerdo.
— Hmm, isso é tão gostoso...
— Mas foi só um beijinho. Ainda tem muito mais.
Contornou a auréola do peito de Ana e abocanhou o bico, chupando-o com todo o tesão que aquela mulher lhe dava. Massageava o outro, deixando a mãe de seu chefe alucinada de desejo, ansiando que a libido de sua vulva fosse saciada de imediato.
Paola tornou a beijar a mulher ao tempo que sua mão se embrenhava por debaixo da saia do vestido desta, procurando desesperadamente pela intimidade febril de Ana. Arranhou a virilha lisa e sedosa da colunista e se agraciou com mais um gemido tortuoso que ela deixou escapar, tocando-lhe, finalmente, na vagina, ainda sobre a calcinha.
Ana não se conteve e gemeu um pouco mais alto, com a voz rouca.
— Shh. Não pode gemer alto aqui – sussurrou. — Geme gostosinho no meu ouvido – pediu.
— Você é uma safada.
— Sou muito mais que isso. – Desceu beijando o corpo da consultora, até mesmo as partes ainda cobertas pela roupa.
Ajoelhou-se no assoalho do carro e abriu as pernas de Ana Luísa e, com as duas mãos, subiu totalmente a saia godê do vestido que ela usava, vislumbrando-se com a calcinha de renda branca que ela trajava. Beijou-lhe a vagina por cima do fino tecido e deu uma mordida no local.
A senhora Arantes e Lima estava completamente alucinada de desejo e apenas ansiava que a jovem fizesse logo o que tinha de ser feito. Paola afastou a peça íntima para o lado e deslizou dois dedos por entre os grandes lábios, sentindo o quão quente e lubrificada ela estava. Elevou os dedos e os distanciou, formando um “V” com eles, mostrando para a consultora sua própria umidade.
Ana Luísa, surpreendendo Paola, sentou-se e chupou os dedos da diretora libertinamente, aproximou-se do seu ouvido e sussurrou:
— Para de me provocar e me chupa gostoso, sua putinha.
Aquela Ana era nova para Paola e ela gostou muito de conhecer esse lado sacana da mãe de seu chefe. Empurrou a mulher sobre o encosto do banco e, novamente, afastou a calcinha da mulher para o lado e a lambeu.
Lambeu e saboreou o gosto da mulher, chupando-a com volúpia em seguida. Arranhava as coxas sedosas de Ana Lu enquanto sentia o clitóris dela inchar mais e mais em seus lábios; sua língua.
A senhora Arantes e Lima, por sua vez, não reprimia seus desejos e rebolava lentamente na boca de Paola.
— Você é tão linda, Ana...
— Só linda?
— Gostosa. Um tesão. Um pedaço de mau caminho. Você me dá tanto tesão – disse sem tirar sua boca do clitóris de Ana.
— Você também me deixa louca. Me faz perder o juízo. Hm.
— Você geme tão gostoso... Hmm...
— E você chupa tão gostoso... Hmm... Não para...
Percebendo que faltava bem pouco para Ana gozar, Paola deslizou sua língua lentamente sobre o nervo enrijecido várias e várias vezes, até ouvir a tão prazerosa frase:
— Hm, vou gozar na sua boquinha – disse manhosa, tomada pelo desejo.
— Goza pra mim, Ana.
Acelerou um pouco as carícias, mas ainda as deixando sutis. Não demorou muito para sentir o líquido de Ana molhar seu queixo e a mulher se contorcer prazerosamente. Deu um beijo molhado em sua vagina, chupando todo o seu orgasmo. Ana Luísa a puxou pelos braços e a beijou.
Paola fez carinhos e deu beijinhos no rosto de Ana, mimando-a com regalos afetivos.
— Arrependida? – questionou curiosa.
— Não. Você é maravilhosa.
— Não tanto quanto você – disse nitidamente apaixonada.
— Sabe, eu tenho muito tempo hoje sozinha. Não quer ir para minha casa e subir; tomar um vinho...? – deixou a pergunta recheada de segundas intenções no ar.
— Por que não?
Paola ajudou a consultora a se vestir e deu partida no carro. Enquanto Paola dirigia, Ana Luísa a olhava com admiração enquanto pensando que agora não tinha mais volta e, que mesmo sem admitir qualquer coisa à Paola, era com ela que se sentia bem e queria ficar, ao menos nesse momento de sua vida.

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