Iolanda



Todos os dias fazia o mesmo ritual ao se arrumar para o trabalho: olhava-se no espelho e via suas olheiras da noite mal dormida por estar corrigindo provas e trabalhos; nada fora do normal para uma professora. Sorriu e escovou seus dentes para se dedicar ao seu banho demorado. Seu corpo sempre hidratado com um óleo corporal de fragrância suave, contudo marcante; sempre presente e persistente sobre sua pele levemente bronzeada.
Uma camisa social “3/4” branca cobriu lentamente seu sutiã vinho com rendas pretas à medida que cada botão entrava em sua devida casinha. Meias-calças em suas pernas, prendidas por um par de cintas-ligas, unindo o tecido translúcido à calcinha de mesma cor da peça íntima superior. Deslizou sua saia lápis em risca-de-giz devagar, sentindo prazer com a leve fricção do tecido com sua tez; gostava de sentir seus pelos se eriçarem com o contato.
Sapatos de salto para lhe dar poder ao andar e segurança para enfrentar aqueles monstros no qual lidava todos os dias. Destacou seus olhos – azulados e penetrantes – com delineador, cobrindo os cílios com rímel em seguida, e em sua boca um belo e chamativo batom vinho. Por fim, e não menos importante, seu perfume doce, mas levemente cítrico, combinando perfeitamente com sua pele.
Estava pronta.
Ia sempre caminhando, pois não morava muito longe; normalmente cantarolando alguma música. Iolanda de Moraes, apesar de apesar de aparentar ser uma mulher fofa e gentil, era muito mais que demonstrava por meio dos – raros – sorrisos dados. Ela tinha quase quarenta e cinco – completaria no próximo mês –, mãe de uma garotinha e viúva.
No colégio, poucas pessoas sabiam de sua vida pessoal e isso era motivo de burburinhos entre os alunos. Alguns diziam que ela era casada, outros que era solteira e ainda existiam aqueles que especulavam sua sexualidade, uma vez que nunca a viram com alguém ou em algum tipo de relacionamento.
A verdade é que Iolanda era uma mulher muito bonita e sabia disso, mas era muito centrada no trabalho e com a viuvez, tapou seus olhos para qualquer pessoa que a cortejasse, ou como seus alunos diziam, flertassem. A única coisa que conseguia distrair a mulher era a leitura, e seu único momento de descontração era nas aulas de redação, onde podia descobrir o que se passava na cabeça daqueles diabretes em forma de projeto de gente.
Todas as segundas, terças e quintas lecionava literatura para as turmas do segundo ano, e nas sextas professorava redação somente para os terceiros anos B e C, sendo a primeira das duas, a pior turma da escola, eleita pelo corpo docente; classe onde Iolanda passava as duas últimas aulas do período matutino.
Dado o horário das últimas aulas de sexta-feira, a professora se encaminhava para sua querida turma. Como vinha acontecendo nas últimas semanas, em cima de sua mesa, encontrava-se um envelope lacrado, direcionado a ela. Olhou para a classe, tentando descobrir quem vinha deixando aquilo para ela, mas em vão. Colocou suas coisas sobre o móvel de madeira, pegou o envelope e disse:
— Quem é o engraçadinho que está deixando esses envelopes em minha mesa? – Ergueu a mão com o invólucro, contudo a sala se manteve em silêncio. — Eu ainda descobrirei quem está fazendo isso, mas por ora, vamos à aula.
Passou o tema da aula no quadro – coesão e coerência –, explicou sobre o assunto, ocupando todo aquele tempo. Ora e outra deixava um aluno sair para ir ao banheiro ou tomar água, porém ela sempre achava que iam vadiar pelos corredores. Poucos alunos gostavam de sua aula e talvez o motivo fosse sua extrema exigência.
Ao soar o sinal para a última aula, ela pediu que a turma fizesse uma redação de tema livre, mas o texto deveria ter sentido e harmonia.
— Vocês fiquem aqui, fazendo a tarefa de vocês. Eu não demoro. – Pegou o envelope e se retirou da sala de aula.
Na sala dos professores, entrou no lavabo e se trancou. Rasgou o envelope apressada e começou a ler:
Dizem as más – talvez, boas – línguas que a mulher é obra do Diabo. Perguntava-me constantemente o motivo de tal afirmação, até o dia que a vi passando pela porta da minha turma o ano passado. Percebi que você era exatamente isso, uma demônia que passou a me atormentar em sonhos, fazendo-me imaginar, e sonhar, as coisas mais imorais que possa imaginar, querida professora.
Dia após dia, anseio de ti; do seu cheiro; de sua textura; seu gosto. Já elaborei planos mirabolantes para criar uma situação onde ficaríamos, somente, você e eu a sete chaves em sala de aula, mas por vezes a coragem me faltou.
Depois de um tempo te observando – e te desejando de longe; em silêncio – percebi que, mesmo que tentasse algo do tipo, não surtiria efeito algum, já que é tão fechada. Mas não há nada nesse mundo que não exista uma solução tangível, por isso te escrevo e deixo-te essas cartas sobre sua mesa.
Já consegui despertar algo em ti? Talvez uma curiosidade? Seria uma pena se fosse apenas isso, pois quero te fazer experimentar novas sensações. O prazer de ter minhas unhas arranhando-te as costas; de minhas mãos apalpando-te o corpo. Minha boca na sua, enquanto aperto-te contra mim e sua mesa. Não seria bom, ter meus lábios percorrendo seu pescoço? Lambendo-o? Chupando-o com veemência?
Oh, como gostaria de sussurrar “Iolanda” em seu ouvido ao mesmo tempo em que te tomo para mim.
Sempre me pego imaginando, talvez alucinando, em suas aulas. A sala sempre está vazia, você apagando o quadro e a minha pessoa te abraçando por trás; beijando-te o pescoço. Agarrando em sua cintura com força; em posse. Apalpando-te a vulva e premendo² meus dedos sobre ela em seguida. É uma pena que seja uma viagem do meu inconsciente, porém nunca consigo chegar ao fim. Sei que nunca será minha.
Não pense que sou uma pessoa doidivanas ou um ser ninfomaníaco. Meu ser apenas está apaixonado por você, professora Iolanda, e te deseja como o Inferno se regozija ao som de um pecado.
Guarde minhas palavras com carinho; talvez, um dia, elas saiam do papel.
Ao término da carta, a educadora teve certeza de uma coisa: estava extremamente carente. Era a única resposta plausível por ter ficado eufórica com a carta de um engraçadinho qualquer que brincava com ela. Mas se a pessoa queria brincar com fogo, era fogo que ela dar-lhe-ia. Abriu dois botões de sua blusa, criando um decote atrativo demais; soltou os cabelos e os jogou para o lado, os amassando com a mão para dar volume.
Não demorou mais que cinco minutos fora da sala de aula e ao retornar, a turma estava em silêncio, porém, foi inevitável que não atraísse a atenção de seus alunos e ela se aproveitou disso; caminhou bem devagar por entre as fileiras de carteiras, atraindo olhares curiosos. Perguntava a um e outro aluno se estava tudo bem, com dúvidas e seguia andando. Todos fitavam o decote da mulher, disfarçando aqui e acolá, ao menos era o que imaginavam fazer.
Ao passar entre o terceiro e o quarto alinhamento de mesas, o terceiro aluno de sua direita a chamou para questionar sobre uma dúvida. Ao se curvar e apoiar as mãos sobre o tampo da mesa, seus seios se uniram e se destacaram ainda mais no decote, unindo-se àquele cheiro cítrico que ela exalava.
Logo atrás, sentava-se Rebeca, uma aluna muito quieta e muito aplicada. A menina não conseguia se concentrar em sua escrita; apenas no decote de Iolanda; e aqueles cabelos revoltos eram uma covardia com ela. Fechou os olhos, para pensar em outras coisas; respirou fundo e inalou o aroma de sua professora, contudo, sua mente a traiu miseravelmente.
Mordeu o lábio para causar dor e esquecer a mulher que estava à sua frente, entretanto, ao abrir os olhos, deparou-se com a professora debruçada em sua mesa, fitando-a.
— Nossa! – Sussurrou, rezando para que Iolanda não tivesse escutado, mas escutou.
— Você está bem, Rebeca? – Questionou sem expressão alguma no rosto.
— Er… Bem… Sim, professora. Só me desliguei por um instante.
No tempo em que a menina Medeiros estava sonhando acordada, a professora a esquadrinhou por sua visão periférica enquanto explicava a questão para o aluno que a havia chamado. Ela tinha certeza: ela era quem escrevia as cartas.
“Talvez não seja tão ruim assim” pensou antes de pronunciar qualquer coisa, ponderando qual seria a melhor coisa a ser dita. — Tendo alucinações? – Deu um sorriso de canto, arqueando a sobrancelha ao mesmo tempo.
A menina sentiu um frio descer por sua espinha. Tinha que ser uma coincidência. Não teria como ela saber. Teria?
— Não, professora. Só estou com um pouco de dificuldade hoje. Não dormi muito bem.
— Entendo, mas se não terminar sua redação até o fim da aula, terá que ficar após o horário comigo, para eu decidir o que fazer com você – sorriu docemente, não sendo tão doce assim.
— Sim, professora – mirava a boca e não os olhos da responsável pela turma, umedecendo os próprios lábios em seguida.
Iolanda somente arqueou o sobrolho e continuou a andar por entre as carteiras, sentando-se sobre sua mesa ao terminar de perambular pela turma. Pegou um de seus livros de leitura e o posicionou bem à frente de seu rosto, cruzando as pernas logo após. Para quem olhasse, ela não conseguia ver a turma, no entanto ela enxergava seus alunos com bastante clareza, principalmente uma aluna em especial.
A menina olhou para o papel, escreveu algumas palavras e se pegou admirando sua professora. Como conseguia ser tão perfeita; tão linda; tão… Deliciosa. Virou a página de seu caderno, buscando uma folha em branco; olhou para Iolanda mais uma vez e começou a desenhar. Rapidamente um rascunho começou a surgir, no qual podia se notar com perfeição de quem se tratava, tendo o adendo de ter mais uma pessoa na figura.
Rebeca se desenhou atrás de sua tutora, sentada sobre a mesa também, tendo uma perna de cada lado da mulher mais velha. No pescoço, a menina lambia; e suas mãos, uma estava na barriga e a outra na coxa direita da mulher letrada. Ao lado do desenho tinha um risco, onde por cima foi escrito: “Oh, Iolanda!”. Diferente de como a mulher estava na mesa, sua aluna a desenhou com cara de desejo, mordendo os próprios lábios com gosto.
Ela estava tão distraída entre admirar a mulher sobre a mesa e fazer seu desenho, que não viu a hora passar, tampouco escutar sua professora pedindo as redações.
— Srta. Medeiros, sua redação, por obséquio – proferiu próxima à menina, estendendo sua mão.
A menina se endireitou num instante, descendo a folha de sua redação praticamente em branco. A mulher observou de soslaio e notou que a jovem escondia algo. Fingiu não perceber e guardou sua curiosidade para mais tarde. Insistiu mais uma vez, agitando sua mão para que a garota despertasse e entregasse a folha.
— Desculpe-me, professora, mas não consegui terminar a redação.
— Certo. Então espere que seus colegas saiam para que possamos conversar. – Virou as costas e se caminhou para sua mesa.
A menina deixou o material como estava e permaneceu sentada. Pensou em arrancar a folha do caderno e amassar, entretanto, isso poderia atrair a atenção de sua mestra e ela acabaria vendo aquele desenho despudorado³. Preferiu permanecer quieta, aguardando.
Já Iolanda, observava-a enquanto recolhia suas coisas e as colocava em sua pasta. Como poderia imaginar que, a pessoa que lhe manda as tais cartas, era a doce e aplicada Rebeca? Realmente, que vê cara, não vê coração; tampouco decifra a alma. Apesar de descobrir que era uma menina que escrevia, a sensação que sentia ao ler as cartas não diminuiu de forma alguma, pelo contrário.
Antes, apenas gerava curiosidade, agora, a descoberta a deixou excitada. Mordeu o lábio após pensar isso e sorriu. Fazia muito, muito tempo que não se sentia viva; muito menos desejando algo como desejava os lábios rosados daquela jovem.
“Oh, Deus, mas isso é tão errado. Sou professora dessa menina e ela tem o clássico fetiche em sua superiora. Porém não posso negar que isso soa muito convidativo. Talvez fosse bom alegrar o inferno com esse pecado— pensou, terminando de arrumar suas coisas e se posicionar diante à menina.
— Céus, menina, por que não guardou seu material ainda? – Repreendeu-a, fingindo estar irritada. Uma ótima atriz.
— Pensei que fosse me passar uma redação para fazer aqui e…
— E pensou errado. Como poderíamos ficar aqui, se em alguns minutos o pessoal da limpeza irá chegar? – Aproximou-lentamente da menina Medeiros, permitindo que ela visse a cor de seu sutiã através do decote.
— Vamos para a sala dos professores ou coordenação?
— Nem um, nem outro – olhou para a aluna com os olhos resplandecendo luxúria e os lábios lascívia. — Para minha casa.
Deu as costas para Rebeca e aferindo que a menina continuava imóvel, volveu seu corpo, apoiou o braço direito sobre o portal, de uma forma que a estudante julgou ser sensual demais, e disse:
— Vamos, Rebeca – sorriu de onde estava, fitou-a por alguns segundos e moveu os lábios lentamente, para que a menina fizesse leitura labial: — Siga-me – girou o corpo e saiu.
Toda afoita, a jovem de cabelos loiros jogou seus materiais dentro da mochila, se levantou e saiu correndo para alcançar à senhora Moraes, fechando sua mochila de qualquer jeito pelo extenso corredor. Ainda longe, conseguiu observar sua professora sorrir e acenar com a mão ao se despedir dos demais funcionários.
Tornou a se aligeirar, segurando seus cadernos que insistiam saltar para fora da mochila, não prestando atenção por aonde ia, até se trombar com sua mestra. A mulher se vira para trás e antes que a garota disse algo, ela solta:
— Isso tudo é para ficar perto de mim? – Mirou-a, arqueando a sobrancelha, ao tempo que se deleitou vendo a menina se encolher envergonhada.
A menina nada disse. Encolheu os ombros e jogou a bolsa de qualquer jeito sobre o ombro, esperando os próximos passos de sua mestra de sala. A educadora sorriu e girou o corpo no sentindo da rua, começando a caminhar. Olhou de soslaio para trás e viu que Rebeca a seguia. Enquanto caminhava, se perguntava onde estava aquela escritora altiva que aparecia nas cartas, pois agora vivia apenas uma menina acuada.
“Uma gatinha assustada” pensou ao tempo em que mordia o lábio.
Não demoraram muito e estavam no quintal da casa da professora. Uma casa não muito grande, mas bonita, de frente para uma praça. Beca admirava o lugar e o caminhar de sua mentora, ficando imensamente curiosa quando Iolanda pegou o celular e fez uma breve ligação.
— Bem-vinda ao meu lar, Rebeca – anunciou após abrir a porta e estendeu a mão em sinal de livre acesso.
— Obrigada, senhora Moraes.
— Fique à vontade. Vou guardar meus pertences e já volto.
Enquanto Iolanda estava fora, a menina deixou sua mochila em um canto qualquer e começou a perambular pela sala. Parou diante à uma mesinha de canto, um aparador, e ficou olhando, admirando, os porta-retratos. Várias fotos de Iolanda e de uma menininha, aparentando ter seus sete, oito anos no máximo.
A última fotografia a deixou intrigada. Era uma armação dupla, onde de um lado sua professora estava grávida, acompanhada por uma mulher muito bonita, que beijava a barriga enorme. Do outro lado, a garotinha estava no colo da outra mulher, sendo que essa mesma mulher beijava a educadora.
— A curiosidade matou um gato, sabia? Ou, uma gatinha, nesse caso – soltou por trás da jovem, mas antes que a menina tentasse explicar algo, ela emendou: — Essas são minha falecida esposa, Geórgia, e minha filha, Valentina, que passará essa noite com a avó.
— Oh, sinto muito – desculpou-se, recolocando o porta-retratos no lugar.
— Não se desculpe. Geórgia se foi feliz e realizada. Já faz uns cinco anos – explicou, findando aquele assunto. Aproximou-se do ouvido da jovem e sussurrou: — Mas não estamos aqui para falar do meu passado, certo, Re-be-ca? – Saboreou cada sílaba conforme saíam por seus lábios.
Deu alguns poucos passos e se sentou em uma poltrona bonita e aparentemente confortável, oferecendo assento para a menina no sofá à sua frente com a mão e a menina prontamente o fez.
— E vamos falar sobre o quê, senhora Moraes?
— “Sua voz sussurra aos meus ouvidos as mais profanas frases de amor, criando em mim, um mar infinito de borboletas em meu estômago”— recitou um trecho de umas das cartas que recebeu. — Intenso, não é mesmo? Conhece o autor? Ou autora?
A menina sentiu a face queimar. Queria abrir um buraco e se enfiar dentro, contudo, preferiu fingir de desentendida.
— Não, senhora, mas o que isso significa? E minha redação a ser entregue?
— “És, tu, a minha Capitu? Queime minha alma e deixe a insanidade possuir meu ser, não podendo diferenciar as alucinações que me acompanham com a realidade que nos acomete”— recitou mais um trecho, sem responder a garota.
Rebeca já tinha entendido. A professora havia descoberto e iria castiga-la severamente, ou talvez, somente exigisse desculpas por sua parte.
— Professora, eu não compreendo. O que quer com isso?
— “Meu ser apenas está apaixonado por você, professora Iolanda, e te deseja como o Inferno se regozija ao som de um pecado”— por fim, poetizou um trecho da última carta recebida.
— Professora Iolanda, eu não sei o que quer dizer com isso. E minha redação que preciso entregar? – Tornou a perguntar sobre a atividade.
— Dê-me o desenho que fez de mim em sala de aula. Se for bom, terá sua nota – sorriu ao ver a carinha de espanto que a menina fez.
— Como assim, desenho? Não tem desenho nenhum – negou e negaria até a morte se fosse preciso.
— Como não quer cooperar comigo, entregando-me o desenho, terá que fazer outra coisa. Uma coisa a mais, pois não valerá ponto algum.
Levantou-se e caminhou, parando atrás do sofá onde Rebeca estava. Envolveu seus braços no pescoço da menina e inclinou seu corpo sobre o apoio de costas do estofado.
— Acha bonito ficar seduzindo as pessoas por cartas? – Sussurrou, com a voz embargada de desejo, fazendo os pelos claros, da jovem, se arrepiarem. — Não se deve mexer com uma mulher viúva e carente, Bequinha ­– beijou o pescoço da garota, que a esse passo, já estava de olhos fechados. — E eu sou uma mulher viúva e muito carente.
Lambeu a curva do pescoço da menina Medeiros e ouviu um gemido gostoso em resposta. Deslizou os lábios até o maxilar e mordeu a orelha da garota, enquanto suas mãos deslizavam, indo de encontro aos seios pequenos de Rebeca.
— Se quiser ir embora, a hora é agora – sussurrou, mas a menina permaneceu ali, sentada e gemendo bem baixinho em resposta das carícias recebidas. — Você fica uma gracinha nesse uniforme escolar, sabia? – A estudante suspirou. — Mas tenho certeza que é mais bonita sem nada.
Inclinou a cabeça da menina para trás e a beijou.
Rebeca já tinha beijado outras garotas, mas nada se comparava com aquele beijo. Era intenso, carregado de malícia, desejo e carinho ao mesmo tempo. A mulher ainda mordeu o lábio rosado da aluna, agora borrado com seu batom vermelho, antes de erguer o corpo. Admirou a jovem por um tempo, vendo-a com a boca entreaberta e com o peito subindo e descendo depressa.
Beirava ser uma Ninfa.
A educadora deu a volta e tornou a se sentar onde antes estava. Abriu mais um botão de sua camisa, tentando apartar o calor que sentia, mesmo sabendo que isso seria impossível, possibilitando que a jovem visse seu sutiã, nada casto. Olhou para sua aluna e percebeu que ela tinha o olhar infestado de luxúria, enquanto castigava o lábio inferior com uma mordida, que a professora julgou lânguida*.
— Sua boca – apontou na direção da mulher de cabelos castanhos.
— O que tem minha boca, querida? – Disse com o tom mais sensual que pôde.
— Sujou de batom – mordeu o lábio assim que terminou de dizer.
Iolanda se levantou e começou a andar lentamente até a menina e enquanto o fazia, terminou de abrir os botões, retirando sua camisa 3/4, deixando seu tronco totalmente exposto. Antes de chegar até Rebeca, pronunciou-se mais uma vez:
— Creio que precisaremos a limpar, assim como a sua – referiu-se a boca de ambas.
Dito isso, ainda com a blusa em mão, puxou a barra de sua saia para cima, até a metade das coxas, e se sentou no colo da menina colocando um joelho apoiado de cada lado. Pegou sua camiseta branca e deslizou pelos lábios avermelhados da adolescente, fazendo a menina suspirar ao inalar o perfume daquela que tanto sonhou.
— Assim eu não quero – reclamou a aluna, fazendo um breve biquinho.
— E como quer? – Iolanda questionou, apoiando uma mão de cada lado no encosto do sofá, deixando seu rosto bem próximo ao de Rebeca.
— Assim!
Enfiou os dedos nos cabelos da nuca da mulher e provou mais uma vez de seu, tão almejado, Hidromel: a boca fervilhante de sua professora.
A menina estava realizando um sonho que vivera durante dois longos anos. Desvendar os mistérios daquela mulher em poucos minutos por meio de toques, carinhos e palavras sussurradas.
Rebeca deslizava suas mãos pelo tronco da mulher, apreciando a textura de sua pele em contato com suas mãos. Iolanda, por sua vez, remexia seu quadril sobre o da aluna, provocando-a lentamente, ao tempo que seus dedos encontraram os delicados seios da menina. Soltou um breve e baixo gemido ao sentir os mamilos intumescidos de desejo da jovem Medeiros, fazendo a garota morder seu lábio inferior.
A professora se distanciou um pouco e passou a língua sobre o lábio mordido, sorrindo sensualmente depois, instigando ainda mais a jovem. Rebeca tentou alcançar os lábios de sua mestra mais uma vez, entretanto, Iolanda a impediu ao espalmar sua mão sobre o peito da menina. Deslizou os dedos compridos pelo tórax da aluna, engatando-os ao suspensório da saia e o retirando.
Deitou-se sobre a aluna inclinando seu corpo o suficiente para que a jovem visse a curva que ela fazia. Deixou um selinho nos lábios avermelhados de Rebeca e passou a morder o maxilar da garota, descendo pelo pescoço e o chupando.
Um a um, ela foi abrindo os botões da camisa escolar que sua aluna usava, encantando-se com o sutiã branco com pequenas flores róseas que ela usava. Enquanto terminava de abrir o uniforme de Rebeca, Iolanda deixava beijos por todo o dorso da menina, deixando-a arrepiada a cada toque.
Rebeca, embriagada de excitação, ergueu a professora e retirou o sutiã que ela usava. Cheirou-o e sentiu seu estômago revirar por tantas borboletas correrem por ele.
— Gosta do meu cheiro, Beca? – questionou ao se sentar sobre a menina.
— Sim, professora. Gosto muito – respondeu hipnotizada pela mulher.
— Então sinta mais de perto – mordeu o lábio e puxou a garota para si em um abraço.
Ao fazê-lo, percebeu o olhar da menina Medeiros fixos aos seus seios, brilhantes de desejo. Acariciou o rosto da menina, resvalando seus dedos sobre seus lábios. Ao sentir o indicador de Iolanda passar por sua boca, Rebeca passou sua língua curiosa sobre ele e o abocanhou em seguida, surpreendendo a si mesma e – principalmente – sua professora.
Um gemido escapou por entre os lábios da mestra em Letras no instante que sentiu sua doce Rebeca sugar seu dedo com tamanho – e desesperado – desejo. O sorriso que apareceu na face de Iolanda fez o corpo da jovem tremular e se aquecer ainda mais. Esse dizia muitas coisas sem proferir palavra alguma. Era um convite para o errado; para o pecado; para a perdição eterna.
Pegou as mãos da menina e as colocou sobre seus seios, fazendo-a apalpar da forma mais gostosa possível, ensinando para sua aluna tudo o que precisava saber. Ao passo que a jovem se deliciava sentindo a pele quente de sua professora, Iolanda se remexia sutilmente sobre o colo da jovem, rebolando lenta e tortuosamente.
Subiu um pouco a própria saia, assim como fez com a de Rebeca, para que a menina sentisse o contato de suas coxas ardentes de excitação em contato com as dela. A menina fechou os olhos em êxtase e Iolanda aproveitou disso para abraçá-la e soltar o fecho de seu delicado sutiã, trazendo-o consigo ao retornar suas mãos para frente. Preencheu suas mãos com os pomos* delicados de Rebeca – uma combinação perfeita entre os úberes* macios e mamilos intumescidos –, fazendo a jovem Beca arquear seu corpo em excitação.
Aproximou seu corpo ao tronco jovial de sua aluna e deixou vários beijos até seus lábios captarem um dos bicos rosados e enrijecidos para sugá-lo com cobiça. Os olhos de Rebeca se arregalaram e sua boca se abriu soltando um ruído manhoso, enquanto seu peito se estufou em direção à mulher. Iolanda sorriu e continuou, parando tempo depois para beijar a menina, conduzindo-a a se deitar sobre o sofá.
Beijos ininterruptos foram deixados pelo dorso da jovem, demarcando a pele branca com marcas avermelhadas no local, enquanto suas unhas arranhavam a lateral do corpo da jovem Medeiros. Os pelos de Rebeca se arrepiavam constantemente devido as descargas de prazer que percorriam seu corpo; ondas de prazer causadas por sua tão sonhada Afrodite.
— Onde está aquela menina das cartas. Que dizia que iria fazer e acontecer, minha doce Rebeca – segredou enquanto deslizava o corpo sobre o da garota, deixando beijos e mordidas por onde sua boca passava.
— E-Eu... Menti... – respondeu manhosa, soltando uma lufada de ar ao sentir Iolanda serrar o nariz sobre sua calcinha de igual estampa ao sutiã.
— Sobre o que, meu bem? – Apertou a ponta do nariz sobre o tecido, fazendo-o entrar em contato com a vulva úmida da garota.
— Eu n-não tenho experiência... Eu nunca passei de beijos com as garotas... – sentiu as bochechas queimarem e os olhos de Iolanda pesarem sobre seu corpo.
Mesmo sentindo-se impotente e muito pequena perante a sua professora, seu corpo reagiu ao olhar da mulher, aquecendo-se de uma ponta a outra, enquanto sentia sua vagina ficar ainda mais molhada.
— Não tem problema, meu amorzinho. Eu te ensino tudo o que precisar – sorriu para a menina e enlaçou os dedos nas bordas da calcinha que ela usava.
Desceu o, fino, tecido e o retirou por completo para dar atenção às coxas de Rebeca. Deslizou a língua do joelho até a virilha da jovem para ser agraciada com um gemido manhoso. Apoiada pelos cotovelos, a garota fitava Iolanda nos olhos, mordendo os lábios, admirada com sua mestra. Fascinada em como ela conseguia ser doce e tão sensual ao mesmo tempo.
Rebeca não conseguiu conter o suspiro carregado de tesão ao sentir a língua de sua professora deslizar por toda extensão de sua vulva. A menina, institivamente, fechou suas pernas, apertando a cabeça de Iolanda contra sua vagina, deixando a mulher ainda mais excitada.
Fora de si, a professora passou a sugar o clitóris inchado e rosado da doce Rebeca, deleitando-se com os sonoros e acentuados chiados luxuriosos. Deslizava a língua, absorvendo todo o líquido que jazia em sua vulva. Pela falta de experiência, não tardou muito a atingir deu ápice, concedendo à Iolanda a felicidade extrema. Decidiu não penetrá-la, pois sentia não ser a pessoa certa para o ato, mas a agraciaria com o prazer extremo da mesma forma.
— Agora venha aqui, pois vou te ensinar algumas coisas – puxou a menina pela mão, deitando-se com ela sobre o tapete da sala.
Tomou a mão da menina e a levou de encontro com sua vagina embebida de excitação, ao tempo que ofereceu seu seio para a menina. A senhora de Morais sentiu seu corpo vibrar ao toque simultâneo da boca em seu peito e os dedos delicados em sua vulva, curiosos, desvendando mistérios ainda desconhecidos.
Rebeca se pôs a acariciar o clitóris de sua professora enquanto sugava e mordiscava o pomo rijo da mulher. Iolanda remexia seu corpo e gemia baixo, contida, porém, com a voz embargada de desejo.
Conforme a professora ensinava, a menina fazia, regalando-a com extremo prazer a levando ao primeiro auge de prazer. Era extremamente excitante para ela que uma jovem estivesse a possuindo de forma tão íntima. Puxou a jovem pelo queixo e a beijou, mordiscando seu lábio e sugando sua língua.
— Isso foi incrível, Iolanda – sussurrou entre os beijos trocados.
— Isso foi apenas o começo, meu amor – sorriu e acariciou o rosto da menina.
Durante aquela tarde, Iolanda ensinou tudo o que a jovem Rebeca precisava saber ao ponto de não precisar mais instruí-la durante o ato em si.
Já escurecia quando a menina Moraes seguiu caminho para sua casa com um sorriso de orelha a orelha. Sonhava que a segunda-feira chegasse logo para que pudesse reencontrar com sua Dafne.
Os dias passaram e a segunda-feira finalmente chegou para a felicidade de Rebeca. A menina andava cantante pela rua, imaginando como seria o seu reencontro com sua Iolanda. Atravessou o grande portão da escola e correu até a sala dos professores, mas, por infelicidade do destino, não a encontrou.
— Onde a professora Iolanda está? – perguntou cabisbaixa.
— Oh, Rebeca, que bom que você apareceu. Iolanda foi embora para a Suíça, mas pediu que te entregasse esse envelope – respondeu sua professora de História.
— Ela foi embora? Mas por quê? – questionou, tomando o envelope em mãos.
— Parece que ela conseguiu uma grande proposta de emprego e um curso lá. Algo do tipo. É só isso que deseja, minha querida? – A senhora de meia-idade ofertou-lhe um sorriso singelo.
— Sim. Obrigada.
Ainda triste, sentou-se nas mesas do refeitório e rasgou o envelope apressadamente deparando-se apenas com um pequeno bilhete em seu interior. Desdobrou-o lentamente e fitou as letras bonitas que sua professora tinha, contendo os seguintes dizeres:
“Não fique triste pela minha partida e não se considere apenas mais uma. Você foi e é extremamente especial para mim, mas a vida dá voltas e eu tive de ir. Não se perde uma oportunidade dessas que somente aparecem uma vez na vida. Eu deveria ter te contado antes, mas fiquei tão envolvida por você que quis me permitir ser amada ao menos mais uma vez. Não a esquecerei, minha doce Beca. Guardar-te-ei em meus pensamentos e coração. Quando tiver mais idade, venha me procurar; eu e minha filha estaremos te esperando. Um beijo, sua Iolanda.”
 A menina secou a lágrima de seu olho esquerdo e guardou o bilhete no bolso. Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto e ela suspirou – talvez feliz talvez frustrada –, acreditando em um futuro promissor.

— E eu vou te procurar, Iolanda.

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