Capítulo X - O melhor da briga vem depois


Um mês se passou desde a oficialização do namoro de Ana e Paola, e com ele, veio o nascimento do sobrinho-neto de Ana Luísa. Ela estava deprimida em sua sala, escondida de todos. Seu humor não estava muito bom naquela quinta-feira e, para evitar estresses desnecessários, enclausurou-se em sua sala.
Paola, estranhando o sumiço da namorada, foi procurar por ela. Antes, pensou que ela pudesse estar na redação do jornal, mas, pela hora, Luísa já deveria ter chegado. Do corredor da sala de consultoria, avistou sua amada pela porta de vidro, sentada à mesa com a cabeça recostada sobre os braços – que estavam sobre o tampo amadeirado. Entrou sem fazer muito barulho e se agachou ao lado da mulher, fez um cafuné nos fios pretos e, por fim, chamou-a:
— Amor, o que foi?
Como Ana se sentia realizada e extremamente feliz ao ser chamada assim. Aproveitou mais do carinho, para só depois responder a pergunta de Paola:
— Eu tô meio tristinha. Só isso – ergueu a cabeça e puxou a diretora para o colo.
— E por que tá assim? – Deu um beijinho rápido e a fitou nos olhos.
— Ah, meu amor, você soube que o filho da Eulália nasceu, não é? – Confirmou com um aceno positivo. — Com a chegada do Vicente, eu me dei conta de que sou tia-avó já. A idade pesou.
— Lu, idade não é um problema pra você. Pensa por esse lado: você é tia-avó e tá maravilhosa. Dá de dez a zero nas novinhas. Tem o espírito jovem e confesso que esse título de tia-avó te deixou ainda mais sexy pra mim.
— Eu não sei o que seria da minha vida sem você.
— Provavelmente estaria enfurnada no trabalho e se esquecendo de viver.
— Provavelmente – riu da possível verdade.
— Eu fui o milagre da sua vida.
— Ainda bem que você é modesta.
— É meu sobrenome – deu uma risada que contagiou Ana e ajudou seu humor a melhorar. — Mozinho, a Cibele...
— Ai, Cibele de novo?
— Ana Luísa, não sei que implicância é essa com a Cibele. Ela gosta de homem e, credo em cruz. Nossa, eca, Ana. Eca! Ela é como se fosse minha irmã. Ela gosta tanto de você. Para com isso.
— Okay. O que você ia me falar da miss simpatia?
— Não seja irônica, Lu. – Ana revirou os olhos e insinuou que ela continuasse. — Ela vai dar uma festa na casa dela amanhã à noite. Uma noite das garotas e ela quer que você vá. Também chamou sua sobrinha Veridiana.
— Eu? Por quê?
Paola saiu do colo de Ana e se sentou no pequeno sofá, cruzando as pernas em seguida. Ficou encarando a namorada por um tempo e respondeu:
— Porque ela quer te conhecer direito. Quer te incluir nas coisas. Para de implicância.
— Amor, eu não tenho idade pra festa do pijama – levantou-se e foi ao aparador pegar uma xícara de café.
— E tem idade pra isso? Idade é questão de espírito. Vamos? – apoiou as duas mãos sobre o assento, implorando.
— Não sei, Paola. Vou pensar.
— Tudo bem. Você deve cheia de coisas mais importantes pra fazer – disse ríspida. — Depois me dá a sua resposta. – Chateada, Paola se retirou da sala.
Ana Luísa tinha mesmo certa implicância de Cibele. Talvez ciúme por ela fazer parte da vida de Paola desde sempre, mas o real motivo era que tinha medo de não conseguir interagir com as amigas de Paola devido a diferença de idade e ficar isolada em um canto. Por outro lado, ver a namorada daquela forma foi de partir seu coração. Pensaria com carinho e, ao fim do dia, conversaria com a diretora.
Paola enfiou a cara no trabalho para evitar pensar em sua primeira discussão com Ana. Pegou todos os contratos que estavam em sua mesa para revisá-los e passar para o financeiro dar continuidade à campanha que estava processo de produção. Distraída em meio à papelada, não ouviu a porta abrir, assustando-se ao ouvir a voz de Getúlio.
— Que susto! Não bate pra entrar? – questionou enquanto ajeitava os papéis que se espalharam pela mesa.
— Eu fiz isso, mas você não ouviu. Muito ocupada? – Puxou a cadeira e se sentou de frente para Paola.
— Não, só estou revisando esses contratos pra liberar a produção da campanha. Por quê?
— Quero conversar com você.
— Hmm, aí tem coisa. Fala.
— Eu andei pensando desde o dia que flagrei você e minha mãe. Acho que ela não te contou, mas naquele dia nós discutimos. Eu a afrontei e ela me colocou em meu devido lugar.
Paola prestava atenção em tudo, ficando bastante surpresa com a revelação do chefe.
— Eu até pensei em acabar com a sua reputação aqui na empresa, mas depois de um mês pensando, de cabeça fria, eu percebi que isso seria a maior burrice que eu poderia fazer. Você é uma ótima diretora, tem me ajudado muito. Eu perderia uma excelente funcionária e, como consequência disso, minha mãe também sairia daqui. Decidi que a partir de hoje a tratarei como a profissional que merece ser e lhe dizer que a vaga de vice-presidente está aberta. Quanto a sua vida pessoal com minha mãe é do interesse apenas de vocês, certo?
— Você não precisa se excluir da vida da sua mãe, Getúlio.
— Eu sei disso. Por isso que vi o tamanho da besteira que eu estava pra fazer. Eu amo minha mãe e ela deve ficar com quem a ame e a faça feliz. Sei o quanto ela sofreu com meu pai.
— Fico muito feliz por você ter ciência disso e não incriminá-la. Eu só quero te fazer uma pergunta: por que, mesmo sabendo de tudo o que sua mãe passou com seu pai, você é assim com as mulheres?
— Porque meu pai sempre me disse que meu dinheiro era o que atrairia as mulheres, que eu as visse como moeda de troca.
— E por que mudou agora?
— Porque eu conheci alguém legal. Uma mulher maravilhosa e pensei que, com meu dinheiro, a teria para mim, mas ela me deu um fora e eu não paro de pensar nela.
— É, Getúlio, nunca é tarde para mudar. Eu prometo que farei sua mãe muito feliz.
— Eu sei que vai. Aliás, já faz. Eu vejo com ela está diferente agora. Mais solta e visivelmente feliz. Até está saindo mais. Pense na vaga da vice-presidência. Não vou tomar mais do seu tempo.
— Obrigada, por tudo e por querer o bem da sua mãe.
— É o mínimo que posso fazer. Ela é minha mãe.
Paola se levantou e caminhou com o chefe até a porta e antes que Getúlio saísse, ela o puxou para um abraço, agradecendo-o mais uma vez.
— Não me agradeça. Ainda precisarei de tempo para me acostumar, mas, não me cabe decidir por minha mãe. Só a faça feliz.
— Pode deixar, enteado.
— Não força – deu um sorrisinho e saiu.
Paola voltou para sua mesa e se sentou. Sentia-se feliz, mais por Ana Luísa que por ela. Era bom ver que o filho de sua namorada estava, finalmente, tomando responsabilidade e não seria mais um empecilho. Desejava muito conhecer essa tal mulher que fez o jovem homem amadurecer da noite para o dia. Sorriu com o pensamento e voltou ao trabalho.
Ana Luísa almoçou sozinha em sua sala. Temia que a diretora ainda estivesse chateada com ela, logo, preferiu dar este espaço à namorada. Ao fim do expediente, foi para a sala de Paola. Bateu na porta e abriu, colocando apenas a cabeça para dentro da sala, da mesma forma que uma criança arrependida faz. Paola sorriu com a cena e a chamou para entrar. Levantou-se e abraçou Luísa, dando-lhe um beijo cheio de saudade.
— Pensei que ainda estivesse chateada comigo – sussurrou com a testa colada a da namorada.
— E eu estaria chateada por que mesmo? – fingiu não lembrar.
— Boba. Eu te amo.
— Eu também, mas te amo mais que a mim. – Deu um beijinho estalado e sorriu.
— Que felicidade toda é essa?
— Vem, vamos sentar que eu te conto.
Ao lado do aparador, onde ficavam as garrafas de bebidas, havia um sofá de dois lugares em couro marrom. Sentaram-se lá e, de imediato, Paola segurou as mãos da amada carinhosamente.
— Seu filho veio aqui hoje – começou, porém Ana a interrompeu.
— Ai, Deus! Ele falou alguma gracinha pra você?
— Calma, amor. Ele só veio conversar comigo como o adulto que ele é.
— Paola, ainda não captei a mensagem.
Paola sorriu e explicou à ela, contando tudo o que Getúlio havia falado.
— Minha Nossa Senhora da Penha, eu preciso conhecer essa moça. Quero ela pra nora. Fazer essa transformação em meu filho beira um milagre.
— Não exagera, Lu. Ele já era um bom rapaz. Estragado, muito estragado, pelo pai, mas um bom rapaz.
— E eu pensando que teria uma tremenda dor de cabeça com ele. Assim fica melhor. – Pensou por um instante, como se tentasse recordar o assunto inicial de ter ido para a diretoria e tornou a falar: — Amor, eu já me decidi. Vou com você amanhã à festa da Cibele. Tenho de parar de implicar com essa moça que apenas te estimulou a ficar comigo.
— Muito que bem! – brincou, pois sabia que Ana não gostava quando ela falava assim.
— Boba, para com isso. – Deu um tapa de leve na perna da namorada.
— O que acha de comemorarmos, hm? – disse sugestiva.
— Hmm, e o que a mocinha me sugere?
— Você me trata como se eu fosse um bebê.
Ana Luísa gargalhou.
— Você só é mais nova que eu, meu amor. Quer ir lá pra casa? Eu faço uma comidinha pra gente e depois nós nos curtimos.
— Eu tô mais a fim da cozinheira, não da comida – disse beijando o pescoço de Ana.
— Ai, amor – gemeu baixinho. — É melhor que eu esteja alimentada, ou você me mata depois.
— Tudo bem. – riu. — Vou pegar minha bolsa e depois passamos na sua sala pra irmos.
Na sexta-feira de manhã, Ana Luísa avisou à Paola que não iria trabalhar, pois passaria o dia na casa de sua mãe para ajudar com a chegada de Eulália e o bebê. A diretora não ficou muito feliz com isso, mas entendeu. Combinou que passaria após o expediente na casa de sua sogra e pegaria Ana para irem à festa de Cibele.
— Sogra – disse a si mesma aos risos. — Ainda bem que a Dona Dete é um amor e uma excelente sogra – pensou alto.
Pegou sua pasta de contratos e saiu. Cumprimentou Lara e foi para uma importante reunião com os acionistas da BPC e um futuro novo cliente. Quando finalmente pode bater seu ponto e ir para casa, já estava esgotada, ou como diria sua mãe, estava só o pó da rabiola.
Na casa de Dona Maria Odete, ficou pouco mais de trinta minutos e foi para o apartamento da namorada para se arrumarem. Pouco dias mais de um mês de relacionamento e Paola já tinha roupas na casa de Ana Luísa.
— Eu sou uma folgada. Olha o tanto de coisa minha que tem no seu armário – disse constrangida ao se deparar com tantas peças.
— Ai, amor, o que tem? Bom que você pode ficar aqui sempre que quiser – disse e fez carinho no rosto da mais jovem.
— Vai me deixar mal-acostumada.
— Aí você terá de receber uma punição – mordeu o lábio inferior logo após emitir a frase.
— Acho que temos tempo e a Belinha não vai se importar se nos atrasarmos – falou ao passo que atava os braços na cintura de Ana Luísa, puxando-a para um beijo libidinoso em seguida.
— Toma banho comigo – Ana pediu aos sussurros.
— Claro, minha imperatriz.
Pegou Ana Luísa pela cintura e a sentiu enlaçar as pernas em seu quadril. Caminhou com certo desespero, ao ponto de trombar com umas duas paredes pelo percurso e já no banheiro, empurrou o corpo da namorada contra a parede, ouvindo-a gemer manhosa.
Desceu Ana e segurou na gola de sua camisa social, forçando-a para os lados e arrancando seus botões.
— Minha blusa... – reclamou.
— Shhiu... – lambeu entre os seios pequenos. — Eu te dou até três dessa depois. Agora fica quietinha e deixa eu te foder bem gostosinho, amor. Do jeitinho que você gosta.
— Você é uma cachorra, dona diretora.
— Pra você, meu amor, eu sou até puta – abriu o fecho frontal do sutiã e abocanhou um dos pomos de Ana.
— Ain, Paola... – gemeu excitada com a agressividade da diretora.
Biancchi estava cega de desejo e apressada por sentir mais da sua colunista. Levantou a saia de Ana Luísa e ergueu sua perna direita, prendendo-a em sua cintura. Seus dedos destros e ágeis imediatamente afastaram a calcinha da consultora para o lado e tocou-lhe o clitóris, massageando-o lentamente para ouvir Ana pedir por mais.
A consultora começou a rebolar no ritmo que Paola ditava, tentando provocar a namorada para que esta intensificasse as carícias, mas não funcionou. A diretora queria a ouvir falar e, para tal feito, manter-se-ia firme naquela gostosa tortura.
— Paola, não me provoca assim... – pediu manhosa.
— Por que não? É tão bom sentir ele durinho assim – pressionou com um pouco mais de força.
— Amor, não enrola... Não me tortura...
— Então pede pra mim... – retirou o dedo e o chupou, beijando Ana Luísa em seguida. — Pede daquele jeito que eu gosto... – mordeu a boca da consultora e voltou a acariciar o nervo de prazer da namorada.
Ana Luísa estava relutante em falar. Da última vez que disse as coisas que Paola queria escutar, estava sob efeito do vinho e dizê-lo de cara limpa era um desafio para ela. No entanto, seu desejo estava tão forte que não estava aguentando mais aquela tortura. Deu-se por vencida e finalmente falou em um sussurro sôfrego, entredentes:
— Me fode, amor. Me fode que nem uma cachorra.
Paola retirou a roupa de Ana Luísa por completo e a virou de costas bruscamente, empurrando-a contra a parede fria. Envolveu o braço direito pelo corpo da namorada até encontrar sua vulva sedenta por prazer, da mesma forma que a serpente tentou Eva no Paraíso. Segurou a perna esquerda de Luísa para ter mais espaço para contato.
Diferente de antes, a fricção de seus dedos era mais firme e rápida contra o pequeno e inchado clitóris de Ana Luísa e quando a mulher declarou que ia gozar, Paola deslizou o dedo lentamente apenas para retardar a sensação e ouvir sua amada gemer e se remexer deliciosamente. Com Ana ainda de costas e apoiada à parede, desceu e abriu as pernas da mulher, pondo-se a lambê-la de uma ponta a outra, penetrando-a em seguida.
Não demorou para que Luísa atingir seu ápice novamente, ficando de pernas bambas. Biancchi chupou todo o hidromel que Ana a ofereceu, subindo para encontrar os lábios da colunista. Abraçou-a com força e disse o quanto a amava.
Ana Lu retirou a roupa da diretora e a puxou para debaixo do chuveiro. Jogou-a contra a parede e beijou o pescoço cheiroso de Paola. Seus dedos rapidamente procuraram o nervo enrijecido de sua amada, masturbando-a lentamente e seus lábios se ocupavam com os seios médios da diretora.
Deslizou pelo corpo da Biancchi deixando vários beijos e rastros de mordidas até chegar a sua virilha, onde deu um beijo molhado e despudorado, surpreendendo Paola com seus atos. Olhou para a namorada e, lentamente, deslizou a língua em seu nervo rijo, observando a diretora contorcer a face em uma carinha de puro prazer. Chupou-a como se uma manga estivesse em na boca, dando beijos molhados e lambidas selvagens. Ainda não se sentia pronta para tentar penetrar sua namorada, então, estava decidida a fazê-la gozar em sua boca.
Sentiu Paola apertar sua cabeça com as pernas, remexendo o quadril contra seu rosto. Vendo que a diretora Biancchi estava prestes a ter um orgasmo, chupou com mais vontade e se agraciou com o gemido mais manhoso que poderia ter escutado e se sentiu extremamente realizada e feliz.
Apoiada à parede, Paola puxou Ana Luísa para um beijo devasso e carregado de amor. Abraçou-a e ficaram sentindo a água quente do chuveiro deslizar por seus corpos.
— Você não precisava ter feito isso, Lu.
— Não gostou?
— Claro que gostei, sua boba. Eu adorei. Você tem talento pra coisa – brincou. — Certeza que nunca se envolveu com outra mulher? – perguntou zombeteira.
— Boba. Acho que nós nos atrasamos um pouquinho – comentou risonha.
— Que nada. Foram só alguns minutinhos – disse com toda certeza.
Tomaram, de fato, o banho e foram se arrumar. Enquanto secava o corpo, Paola ouviu o telefone bipar uma mensagem e, imaginando ser Cibele, fora verificar. Tomou um grande susto quando viu mais de dez mensagens da amiga perguntando se ela não ia mais e a xingando de tudo o que era nome. A última mensagem era um áudio, que ela ouviu perto de Ana Luísa.
Oh, sua vaca, acho bom você ter uma ótima explicação pra esse atraso de mais de uma hora. Responde a porra do telefone, filha da puta!
— Tá! Talvez estejamos um pouco mais que alguns minutos atrasadas.
Ana Luísa gargalhou da situação e das caras e bocas que Paola fazia ao responder a amiga. Realmente a noite com essa moçada seria de “animar”.



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