Capítulo VII - Impúdico

O carro de Paola estava na vaga de garagem de Ana Luísa; apenas o carro. A diretora estava sentada no sofá da colunista relembrando os primeiros amassos trocados com a dona do apartamento. A senhora Arantes e Lima vinha da cozinha com tuas taças e uma garrafa de vinho nas mãos, exibindo para Paola um enorme e maravilhoso sorriso. Este fez a diretora se perguntar se era merecedora de tamanha felicidade.
— Desculpa não ter nada para comer, mas, caso queira, eu posso fazer algo – disse e colocou as taças e a garrafa sobre a mesinha de centro.
Paola a puxou pela cintura, abraçando-a e deu um beijo casto naquela boca que ela achava tão linda.
— Não precisa fazer nada. Fica aqui comigo e vamos nos curtir. Já tá tudo perfeito. – sorriu e fez carinhos na nuca de Ana Luísa.
A diretora se afastou um pouco e serviu o vinho, entregando uma das taças para Ana.
— Você é tão cortês – disse-lhe Ana aos sorrisos.
— Você já me disse isso, mas eu adoro ouvir e eu já te disse uma vez que você é merecedora do máximo – disse e bebericou um pouco do vinho.
— Sim, você disse, mas, também não disse exatamente do que se tratava esse “máximo” – proferiu sugestiva, tomando o restante do líquido cor-de-sangue.
— Eu posso simplesmente te mostrar... – sentou-se sobre o colo da colunista, prendeu seus braços contra o sofá e rebolou lentamente sobre o colo da mulher.
— Issssh – puxou o ar por entre os dentes. — Eu nunca me senti assim antes, nem tão excitada como fico com você...
— Dizem que causo esse efeito nas mulheres – brincou, mordendo o ombro desnudo da mãe de seu chefe.
— Palhaça... Hm... Você faz tudo ficar tão mais gostoso...
— Não sou eu, querida. Somos nós... Essa química que tivemos desde que nos conhecemos.
— Você me faz perder o juízo...
— Per-ca – disse lentamente aos sussurros.
Ana Luísa avançou contra a jovem e atacou-lhe os lábios, enfiando sua língua marota na boca de Paola. A diretora prontamente retribuiu o beijo, soltando as mãos da consultora para segurar seus fios negros contra seus dedos e os puxar lentamente, enquanto sua outra mão tateava o seio de Ana por cima do vestido. Era prazeroso para Paola sentir os pequenos bicos rosados se enrijecerem com suas carícias.
— Hmm, que agressiva – mordeu o próprio lábio, deixando Biancchi hipnotizada com a cena.
— Posso ser ainda mais agressiva se quiser... – sussurrou enquanto enfiava sua mão pelo decote do vestido, procurando contato direto com a pele ardente de Ana Luísa.
— Me surpreenda! – sussurrou e chupou a orelha de Paola.
— Caralho, Ana Luísa! Você vai me matar assim – disse manhosa.
Atacou o pescoço da mulher, enquanto a ouvia gemer. Era bom ter essa sintonia com Ana e poder se entregar sem medo de julgamentos. O vinho à meia-luz e a música ambiente envolvente estavam deixando a situação ainda mais envolvente e excitante para ambas.
Paola abriu o zíper do vestido, agora já conhecido por ela, e desceu as alças deste para preencher o colo de Ana com beijos molhados, até que um dos seios fosse capturado pelos lábios hábeis da diretora. Desta vez, Ana Luísa pode gemer manhosamente na altura desejada, sem ser repreendida por sua parceira.
Estava tudo perfeito, mas Luísa queria algo que surpreendesse Paola, então, cessou as carícias e fez um carinho na face angélica da diretora.
— Eu fiz algo que você não gostou? – questionou preocupada.
— Não, meu amor – sorriu, fazendo Paola sorrir. “Meu amor” não passou despercebido pela jovem mulher. — Eu apenas quero tomar um banho.
— Não precisa. Você já é tão cheirosa.
— Mas eu não disse que tomaria o banho sozinha...
Jogou Paola para o lado e se levantou. Enquanto caminhava, terminou de abrir o zíper do vestido e, sabendo que a diretora a olhava, deixou que o tecido deslizasse por seu corpo, indo de encontro ao chão. Deixou a peça de roupa para trás e, já bem próxima à porta do banheiro, olhou para trás e sorriu, mordendo a boca para provocar a jovem, entrando no cômodo em seguida.
Paola não conseguiu tirar os olhos daquela mulher e somente pensava no quão bandida, para não dizer filha da puta, aquela mulher poderia ser, no bom sentido da frase. Respirou por alguns segundos, talvez um minuto, tirou a própria roupa e foi para onde Ana estava e quando entrou no pequeno espaço, pensou ter chegado ao céu.
Luísa estava de costas para a porta, os cabelos estavam molhados e a mão esquerda estava apoiada à parede, enquanto a direita tocava a própria intimidade. As pernas da diretora bambearam e sua boca salivou. Ana Luísa Arantes e Lima definitivamente era uma filha da puta de alta classe. Entrou de uma vez no box e colou seu corpo ao de sua Afrodite, mordendo suas costas de imediato e arranhando a lateral do corpo da mãe de seu chefe.
Em resposta, Ana inclinou um pouco o corpo e roçou ao de Biancchi, sentindo ainda mais o contato das peles. Já fazia muito tempo que ela havia parado de tentar entender o que Paola a causava e decidiu que iria apenas aproveitar e se entregar. Sentiu a mão da diretora arranhar sua virilha e tomar o lugar que a dela própria estava antes.
— Deixa que eu faço isso pra você – sussurrou e roçou os dedos sobre o clitóris rijo da colunista.
— Hmmm... – Ana apenas gemeu e apoiou sua outra mão à parede.
Ao tempo que masturbava a vulva febril de Ana Luísa, Paola massageava o seio pequeno da mulher, ora e outra brincando com os mamilos duros. Depois de alguns minutos tocando-a lentamente, retirou os dedos viscosos com o líquido de excitação e os levou a boca de Ana para que ela sentisse o próprio gosto. A colunista, por sua vez, abocanhou os dedos e os chupou despudoradamente, deixando Paola ainda mais excitada.
Tão excitada que aquela posição já não lhe era mais suficiente. Virou-a e a jogou contra a parede fria, dando-lhe um beijo quente, ao passo que sua mão foi de encontro a sua vagina quente. Fez carícias libidinosas no pequeno e enrijecido nervo, fazendo Ana Luísa rebolar lentamente em seus dedos. Abaixou deixando beijos pelo corpo da consultora até encontrar a intimidade molhada de sua amada Luísa. Beijou-lhe os grandes lábios e, por fim, sugou-lhe o clitóris.
Ana viu estrelas. Jamais tinha sentido algo tão forte, precisando apoiar as duas mãos sobre a cabeça de Paola. A diretora, alucinada de prazer, penetrou dois dedos enquanto ainda a chupava. Ana Lu passou a gemer mais intensamente, apenas pensando que aquela jovem mulher era incrível e estava a fazendo se sentir a mulher mais feliz e realizada de uma forma que jamais fora.
Olhar para baixo e admirar aquela bela mulher chupando sua vagina era de fazê-la perder a cabeça e dizer coisas desconexas, que, fora daquelas condições, ela jamais as diria. Gozou chamando por Paola e quase desfaleceu nos braços da diretora.
Não satisfeita, Biancchi pegou Ana Luísa no colo e a levou para o quarto, jogando-a sobre o colchão assim que entrou no lugar. Pegou a perna esquerda da mãe de seu chefe e deixou beijos à medida que subia. Novamente, beijou a genitália de Ana e continuou o trajeto, até encontrar a boca sedenta da colunista. Puxou o corpo da mulher para que ela se sentasse e encaixou sua intimidade à de Ana, mexendo o quadril contra o da outra mulher.
O contato úmido das duas estava deixando Luísa maluca. Nunca pensou que poderia sentir tanto prazer como estava sentindo. Trocaram beijos quentes e cheios de paixão ao som da melodia que seus quadris ditavam. Após quase vinte minutos de carícias mútuas, as duas atingiram o ápice, mas Paola queria mais. Ela sempre queria mais quando o assunto era Ana Luísa.
Virou a mulher de costa e a colocou em sua posição favorita, de quatro, para, mais uma vez, degustar da vulva delicada da consultora. Chupou-a de uma ponta a outra e dedicou-se ao nervo de prazer de Ana, ao tempo que seus dedos a penetravam religiosamente. Mordia-lhe sensualmente, causando arrepios na pele clara de Ana, que se contorcia diante de cada carícia concedida a ela.
— Você é tão gostosa, Ana Luísa... Quero você pra sempre comigo...
— Hmm, me fodendo assim, meu amor, eu vou com você até o inferno – disse entredentes, buscando forças para falar uma frase conexa.
Ao ouvir a frase de Ana Luísa, Paola, cega de desejo, deu um tapa na bunda macia da colunista, deixando a região marcada e fazendo Ana gemer ainda mais.
— Então a senhora consultora gosta de apanhar?
— Sim... – disse num gemido.
— Você é uma mocinha má? – perguntou enquanto a penetrava.
— Muito má...
Paola entendeu o recado e passou a dar mais tapas em Ana. Isso deixou a mulher ainda mais envolvida, não demorando a atingir seu orgasmo. A diretora Biancchi lambeu-a por completo, engolido todo o gozo da mãe de seu chefe. Subiu e se deitou sobre o corpo inerte de sua amada Ana Luísa, fazendo carinhos na mulher, que não parava de sorrir. Rolou para o lado e ficou admirando-a enquanto tinha os olhos fechados.
— Você é tão linda – segredou Paola.
Ana sorriu com os olhos ainda fechados e disse:
— Você é maravilhosamente incrível. – Abriu os olhos e fitou aquelas imensidões castanhas. — O que você disse agora pouco é verdade? – perguntou séria.
— Exatamente o quê? Eu disse muitas coisas seriamente – riu, fingindo não saber do que se tratava.
— De ficar comigo pra sempre.
— Ah! – Apenas neste instante que Paola se deu conta do que havia dito. — Desculpa ser tão precipitada e falar coisas que você não quer ouv...
— Eu adorei – cortou Paola.
— Então... Que tal nos conhecermos mais, tipo um compromisso sem rótulos?
— Isso me parece muito bom. Assim eu me adapto a um relacionamento.
Paola estava louca para dizer àquela mulher o quanto estava apaixonada. Que seu peito doía ao pensar nela, mas temia ser muito cedo e assustar Ana Luísa. A consultora não tinha ideia dos desejos de Paola, mas queria, com toda sua alma, ter coragem para dizer que já a amava, porém, também lhe faltou coragem.
Ficaram trocando carinhos e beijos, até o estômago de Paola roncar, deixando-a vermelha de tamanha vergonha. Ana apenas riu da situação; achou uma graça a diretora ficar com a face rubra.
— Vem, vou preparar algo rápido para comermos.
Quando Ana Luísa se ofereceu, Paola imaginou que ela fosse fazer algo rápido, como macarrão instantâneo ou macarronada, mas a mulher fez um yakisoba de frango, surpreendendo ainda mais a jovem diretora.
— Nossa, Ana, você ainda é uma deusa da cozinha – maravilhou-se após provar o prato.
— Não seja boba. Foi uma coisinha rápida – respondeu e sorriu. Olhando para sua acompanhante enquanto comia, ela pensou: “Se não gostar de mim, eu, pelo menos, te ganho pela barriga”.
Ela não poderia imaginar que, na cabeça de Paola, algo parecido lhe acometia:
“Ai, deusa, já não basta me ganhar por ser como é, como também me ganhou pela barriga”.
O que faltava de palavras ditas, sobrava em pensamentos conectados, no entanto, desconhecidos.
— Sabe que horas são? – Ana Luísa arguiu.
— Não tenho ideia. Deixei meu telefone no carro para ninguém nos atrapalhar.
— Está perto das onze da noite, lembrando que chegamos aqui, em minha casa, beirava às 17hs e 30min e tem, mais ou menos, meia hora que terminamos. Eu achei que fosse impossível transar por tanto tempo.
— Quando fazemos algo gostoso com quem queremos e gostamos, o tempo passa que nem percebemos. – A diretora olhou-a tão intensamente, que Ana ficou um pouco envergonhada.
— Tenho de concordar. – Percebendo que estava tão tarde e que não seria seguro para Paola ir para a casa, ofertou: — Não quer passar a noite aqui? Está tarde e eu ficaria muito preocupada. Amanhã nós acordamos mais cedo e vamos até a sua casa e, de lá, vamos para a B.P.C.
— Vendo que você já pensou em tudo, não vou recusar.
Tomaram banho juntas, trocando carinhos sutis e foram para o quarto. Ana deu uma camisa antiga de Getúlio para Paola, que ficou incrivelmente sensual naquele blusão, e se vestiu com uma camisola branca fina. Já deitadas, Paola envolveu Ana em um abraço e, de conchinha, elas dormiram.
Ambas com pensamentos e desejos conectados, no entanto, temerosas em explaná-los. Por ora, acharam que seria bom apenas curtir o momento, apesar de agirem como o mais novo casal da praça.

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